Capa Adapte-se Porque Todo Sucesso AG V2.aiTim Harford é um jovem economista inglês que vem se destacando dentre a nova geração de autores que, recentemente, vem popularizando a Economia Comportamental.

Em seu terceiro livro, Harford faz uma releitura da biologia evolutiva, trazendo alguns conceitos fundamentais desta disciplina para o campo dos negócios. A ideia soa como uma continuação de Origin of Wealth: Evolution, Complexity, and the Radical Remaking of Economics, de Eric Beinhocker, no qual o autor amarra uma bem construída analogia entre as teorias darwinianas e a formação das sociedades.

A grande contribuição de Harford foi mostrar como as aulas de biologia podem contribuir para a gestão de empresas – especialmente no campo da Inovação. Ano após ano milhares de empresas fecham, inúmeros produtos desaparecem e outros tantos projetos nem saem do papel. Num mundo tão complexo, esta alta taxa de mortalidade é inevitável, senão necessária.

Segundo Beinhocker, desde que a vida surgiu na Terra as espécies seguem a mesma sequência da seleção natural: variação, seleção e replicação. Para Harford, a gestão deveria observar tal padrão no desenvolvimento de suas atividades, num processo semelhante de tentativa e erro. A ideia é que todo este erro seja controlado, isto é, que as empresas sejam tão experimentais quanto a natureza na condução de suas criações.

O dilema, segundo ele, é que para aceitar os princípios da tentativa e erro é preciso aceitar, em primeiro lugar, o erro – e é aí que os problemas começam.

Tal como explica Carol Dweck em Mindset: The New Psychology of Success, há dois tipos de mentalidades predominantes nas pessoas: a de crescimento e a fixa. Na primeira enxergamos o erro como algo inerente ao processo de aprendizagem, enquanto que na outra encaramos os revéses como um indesejável fracasso, fruto de uma incapacidade incorrigível.

Ainda que Dweck reconheça a maleabilidade destes estereótipos – ou seja, partindo de um podemos chegar ao outro -, Harford entende que a mentalidade fixa dificulta a experimentação dentro das empresas, já que ela pressupõe uma fração quase obrigatória de insucessos.

Seja no mundo corporativo ou mesmo na política, tanto funcionários e clientes quanto eleitores têm pouca tolerância com erros vindos das empresas que escolhem ou dos governantes nos quais votam.

O processo de tentativa e erro representa, ainda assim, um fundamento básico do método científico. Seja na Física ou na Medicina, por exemplo, gerar hipóteses e confirmar sua veracidade ou testar sua robustez tem sido o caminho responsável pelos maiores avanços da Ciência moderna.

Como receita, Harford indica uma forma útil de aplicar as teorias da biologia evolutiva aos negócios, de modo que não seja preciso esperar milhões de anos para que um milagre evolutivo empurre sua empresa para frente:

Variação: em ambientes separados, formam-se novos conceitos, diferindo dos originais, para resolver problemas que as soluções atuais não alcançam. Assim como na natureza, o isolamento é importante para que as novas ideias (ou organismos) não sejam contaminadas pelas já existentes*;

Seleção: neste novo ambiente, as variações mais aptas sobreviverão. As que melhor se adaptarem e resolverem o problema identificado terão sucesso, enquanto que as outras perecerão sem maiores consequências – graças ao isolamento citado anteriormente; e

Replicação: o novo conceito criado, tendo sido aprovado em sua seleção natural, progredirá no ambiente multiplicando-se e, possivelmente, tornando-se o novo padrão – até que um novo processo evolutivo ponha seu domínio à prova novamente.

A fórmula requer, entretanto, o abandono de alguns pudores e a renúncia a certos dogmas. Como dito antes, porém, ela vem se provando útil no avanço da Ciência e, em última instância, implacável na luta pela sobrevivência – seja das empresas ou das espécies.

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* Clayton Christensen explica que inovações disruptivas raramente ocorrem nas empresas líderes, a menos que exista uma divisão totalmente separada – e com suas próprias regras – responsável pela tarefa.

NOTA: Esta resenha baseia-se na versão original do livro, em Inglês, cuja primeira edição é de 2011.