Muitas das escolas de negócio que existem por aí baseiam seus cursos de pós-Graduação em Estudos de Caso e, consequentemente, derivam seus ensinamentos nas melhores práticas que os cases apontam.

Até mesmo os cursos focados em Inovação e Criatividade apelam a esta metodologia sem perceber que, por tabela, estão incentivando a imitação, a cópia. Num mundo em que as mudanças ocorrem em ritmo vertiginoso, o que aconteceu ontem pode ser caduco hoje – e perigoso amanhã.

Os alunos preferem aprender na prática, querem fórmulas prontas, atalhos para o sucesso. Então é isto que as instituições de ensino entregam.

Joker_bEstudar cases é simples, pois você vê algo concreto, com início, meio e, às vezes, fim. Cases têm historinhas, enredos, personagens e outros elementos do mundo real. Teorias são abstratas, genéricas, impessoais e, muitas vezes, dependem de outras teorias. Pessoas torcem seus narizes para elas.

Reduzir uma teoria a um exemplo implica em particularizar o geral, em reduzir o amplo, em focar naquilo que você já conhece, em vez de ampliar seu conhecimento, buscando aquilo que você não conhece.

Clayton Christensen descreve muito bem o problema em The Innovator’s Solution (Harvard Business School Press, 2003): “Já que evidências do passado podem ser um guia ilusório do futuro, o único modo de enxergar o que virá é através da teoria”. Nassim Taleb vai além: “Invista em preparação, não em previsão”.

O jogo é muito complicado e muda o tempo todo. Você não tem como saber de quais cartas precisará. Então você precisa de um Coringa. A Teoria é o Coringa.