Imagine que você está em uma equipe de corrida para disputar uma prova de revezamento 4 X 100 metros. Em um dos times adversários, o tempo de cada um dos atletas é melhor do que o tempo de qualquer componente do seu grupo. Isso significa que se os oito corredores apostassem corrida, você e seus companheiros seriam os últimos. Desanimador, não é mesmo?

Esta era a situação da equipe francesa feminina no mundial de 2003, em relação às americanas. Ainda assim, a entrega das medalhas foi ao som de A Marselhesa – o hino francês. Como se explica o fato de atletas mais rápidas serem vencidas por outras, mais lentas?

É o que explicam Yves Morrieux e Peter Tollman em Six Simple Rules: How to Manage Complexity without Getting Complicated, ainda sem tradução no Brasil. Para eles, é a cooperação entre os membros de uma equipe que permite tal superação. E esta cooperação, explicam, não pode ser medida tornando, portanto, o resultado da disputa imprevisível.

Assista, no vídeo abaixo (4’10”), outro surpreendente exemplo de como a cooperação funciona – ou o que pode acontecer quando ela não funciona – desta vez dentro de uma empresa:

Assim como na corrida de revezamento, os efeitos da cooperação entre os membros de uma equipe podem ser surpreendentes, desde que você consiga identificar os pontos de alavancagem. Muitas vezes não adianta você estimular melhorias individuais quando o que se ganha na performance isolada, perde-se no agregado.

É preciso, antes de tudo, entender como as partes se relacionam e como se pode extrair o máximo de cada interação. Estimular a cooperação não é tarefa simples, especialmente quando as avaliações são todas individuais e cada um responde apenas pelo seu próprio desempenho.

Não é possível avançar quando a responsabilidade de uma pessoa termina assim que o bastão sai da sua mão. Todos devem trabalhar para que a passagem do bastão ocorra da melhor maneira possível, do início ao fim. Do contrário, em vez de passar o bastão, cada um estará preocupado apenas em se livrar dele. E esta pode ser a diferença entre a empresa campeã e a segunda colocada.

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