Se você é dessas pessoas que tem problemas com sua força-de-vontade e vive se decepcionando por não atingir metas e objetivos pessoais – como perder peso, parar de fumar ou economizar um pouco mais – então tenho uma boa e uma má notícia.

Carrots and SticksA má notícia é que a força-de-vontade é um recurso limitado, como quase tudo na vida. Em termos de atingir objetivos, isso significa uma capacidade finita de manter o foco, como explica Ian Ayres, professor de Direito de Yale e autor de Carrots and Sticks: Unlock the Power of Incentives to Get Things Done (Bantam, 2010).

Em termos práticos, quando você se concentra muito em um plano, acaba deixando outro de lado – ou mesmo usando-o para compensar o primeiro.

Na tentativa de largar um vício, muita gente acaba trocando-o por outro. Estudos mostram que entre 20% e 30% de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica acabam adquirindo outras compulsões para substituir seu antigo apego à comida, como fumar, beber, jogar ou até mesmo comprar.

Quando nos comprometemos a deixar um mau hábito, é preciso avaliar as possíveis consequências que o sucesso podem acarretar. Como a velha piada do sujeito que começou a tricotar para parar de fumar e, logo depois, precisou voltar a fumar para parar de tricotar.

De fato, há uma explicação para a abstinência nos enfraquecer. O professor Roy Baumeister, da Universidade da Flórida, demonstrou esta correlação num curioso experimento: alunos deveriam resolver um quebra-cabeças enquanto resistiam a um prato de determinada iguaria.

A primeira maldade do experimento era que um grupo não poderia comer hipnotizantes cookies recém-saídos do forno, enquanto que o outro deveria evitar apetitosos… rabanetes! A segunda maldade era que o puzzle não tinha solução e, portanto, o objetivo real do experimento era descobrir quem desistia mais cedo.

Pois bem, resistir a cookies era demais para as cabecinhas do respectivo grupo e, em média, elas aguentavam apenas metade do tempo do outro grupo – o dos inigualáveis rabanetes.

Noutro estudo, o mesmo Baumeister testou o impacto de diferentes emoções nos voluntários. Divididos em dois grupos, eles deveriam assistir um trecho de Robin Williams em “Uma babá quase perfeita” e outro de Deborah Winger dando adeus a seus filhos em “Laços de Ternura”.

Aos integrantes do primeiro grupo, porém, era pedido que controlassem suas emoções, ou seja, que não rissem com Williams e não chorassem com Winger. Já o segundo grupo poderia extravasar.

Depois disso, ambos os grupos deveriam resolver quebra-cabeças. O grupo dos controlados – vamos chamá-los assim – resolveu uma média de 4,9 problemas, enquanto que os emotivos chegaram a 7,3. Sua conclusão sugere que pessoas que lutam para controlar determinados sentimentos esgotam a energia necessária para outras tarefas.

O gran finale da obra de Baumeister veio na comprovação de sua teoria de que focar a atenção num determinado ponto reduzia os níveis de açúcar no sangue que, por sua vez, causava a piora na performance.

Neste derradeiro experimento, dois grupos assistiam um vídeo onde palavras aleatórias apareciam na tela de vez em quando. O primeiro deveria prestar atenção nos termos, enquanto que o segundo deveria ignorá-los. Com efeito, os que prestaram atenção tiveram uma redução de 6% na taxa de açúcar no sangue, ao passo que o outro grupo permaneceu inalterado.

Ao serem postos para resolver o famoso teste de Stroop*, o primeiro grupo tinha muito mais dificuldade do que o segundo. A cereja do bolo veio quando na variação seguinte Baumesiter deu uma açucarada limonada ao primeiro grupo que, assim, igualou os resultados do segundo nos testes posteriores.

No próximo texto veremos como podemos ajudar nossa força de vontade a ficar, digamos, mais forte…

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* Dizer qual a cor da letra de determinada palavra, sendo que a palavra é o nome de uma cor diferente. Por exemplo: VERDE.