Carrots and SticksO texto anterior acendeu uma interessante discussão sobre as diferenças entre Poder e Autoridade. No final das contas, entendo que todos concordamos que um deles – que eu chamei de Poder – é a capacidade de influenciar os outros para que façam o que deve ser feito e que, uma das maneiras para se conseguir isso é usar da força do cargo que se ocupa, ou seja, mandar – a que eu chamei de Autoridade*.

Mais importante do que os rótulos, no entanto, o que interessa aqui é organizarmos as ideias. Então vamos em frente!

Depois da Autoridade, hoje falaremos sobre as Recompensas, como mais um fator que pode ser utilizado para influenciar as atitudes das pessoas. A abordagem aqui será voltada para o ambiente corporativo, mas certamente muitas das situações analisadas encontram paralelos fora do trabalho também, ou seja, no nosso dia-a-dia.

Alguns incentivos oferecidos pelas empresas são baseados em performance , através de números que medem o desempenho do profissional, observando puramente os resultados práticos alcançados por ele. São os famosos key performance indicators (indicadores-chave de performance), ou KPIs. Vendas totais, aumento de vendas, market share, pontualidade nos horários e na entrega das tarefas ou relatórios, margem de lucro, número de visitas realizadas, enfim, quase tudo o que possa ser medido e que seja relevante.

Quando as Recompensas são baseadas em quesitos mensuráveis – como os exemplos acima -, minimiza-se a possibilidade de favorecimentos ou perseguições indevidos.

Os números podem apontar um caminho a seguir mas a decisão final caberá, quase sempre, ao chefe. Por mais que o funcionário tenha se destacado, vendido muito e chegado sempre no horário, ainda assim a última palavra sobre um aumento (e seu percentual exato, dentro de uma determinada faixa), ou mesmo uma promoção, será do seu superior.

Outros critérios, ainda, podem não ter uma base tão transparente assim e envolvem certo grau de subjetividade, ou seja, dependem de algumas avaliações pessoais e particulares – seja de um chefe, de um par, ou até mesmo de um subordinado. Quesitos como envolvimento e engajamento, promoção dos valores da empresa, cordialidade no ambiente de trabalho, esforço no desenvolvimento da equipe e vontade de aprender, dentre outros, estão atrelados às opiniões pessoal de quem preenche os formulários.

Esse controle sobre as Recompensas confere ao líder certo grau de influência sobre seus liderados, na medida em que eles haverão de se esforçar para merecê-las – mas não garante, contudo, recebê-las.

Talvez possamos, ainda, estender este conceito àqueles profissionais que criam as regras e os indicadores que regulam as recompensas e os pacotes de benefícios, como a equipe de Recursos Humanos, por exemplo. Ou isso seria forçar demais a barra?

Do lado oposto temos, também, um conjunto de controles e principalmente de Punições que visam regular algumas atividades da empresa – mas isso será tema do próximo texto.

Enquanto isso, diga-me: Você já teve alguma recompensa sua “sequestrada” pelo seu chefe?

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Para pensar: em que situação identificamos alguém autoritário: quando ela influencia os outros através da persuasão ou quando ela usa a força da sua posição?