Uma das noções mais difundidas na gestão de pessoas – sejam empregados ou filhos – é a de que recompensas funcionam como extraordinárias peças de motivação. Na maioria das vezes isso realmente é verdade, mas em algumas situações fracassa espetacularmente.

Cinquenta crianças entre três e quatro anos e que tinham algum interesse em desenhar foram reunidas por Mark R. Lepper e David Green, da Universidade de Stanford para um curioso estudo.

Divididas em três grupos, elas ficavam isoladas numa sala durante seis minutos para fazer um desenho qualquer.

Depois de terminar a tarefa elas poderiam: 1) receber uma recompensa por desenhar, sendo que elas sabiam disso; 2) receber a mesma recompensa do grupo anterior, mas de surpresa; ou 3) não receber recompensa alguma.

Por um vidro espelhado os pesquisadores verificavam quanto tempo as crianças efetivamente desenhavam, de acordo com os grupos em que estavam. O surpreendente resultado pode ser visto no gráfico abaixo, à direita, onde se vê quantos minutos em média cada grupo permaneceu desenhando.

Qualidade do DesenhoO que se percebe a partir do resultado é que a recompensa parece diminuir o interesse inato pelo desenho. Além disso, os especialistas avaliaram os desenhos das crianças do Grupo 1 como menos bonitos do que os outros (a diferença entre os Grupos 2 e 3 não é estatisticamente relevante).

Para os pesquisadores a explicação reside na diferença entre as motivações intrínsecas (quando fazemos algo porque queremos ou gostamos) e extrínsecas (quando algum fator externo nos motiva). As crianças que participaram do estudo foram escolhidas exatamente porque encontravam no desenho algum tipo de motivação intrínseca.

Entretanto, no momento em que algo foi-lhes oferecido para realizar algo que faziam com prazer, as crianças pareciam ter um excesso de justificativas para desenhar e, paradoxalmente, perdiam o interesse.

Por isso, devemos tomar muito cuidado em não transformar as coisas que as pessoas já fazem naturalmente, por causa da motivação intrínseca que têm, em algo que se espera dela porque, em situações assim, transformar prazer em obrigação pode ser um enorme tiro no pé.