Se você pretende alugar um apartamento de um desconhecido em sua próxima viagem, é melhor prestar atenção no que está acontecendo com os principais serviços deste tipo. Recentemente, a justiça Nova Iorque andou investigando o Airbnb, o favorito de dez entre dez viajantes descolados. Oficialmente, o procurador do Estado disse estar atrás de evidências que comprovassem denúncias de que proprietários estariam despejando inquilinos para transformar seus imóveis em hotéis. Em São Francisco, pelo menos dois landlords já foram processados pela mesma acusação.

AirBnb

Print do AirBnb

O que se sente no ar, no entanto, é um forte cheiro do lobby dos hotéis, vislumbrando uma concorrência não esperada em seus mercados cativos. Como em algumas outras situações, vemos os players tradicionais e estabelecidos brigando para manter seus quinhões a qualquer custo. Foi o que aconteceu quando cooperativas de táxi tentaram banir os aplicativos que ofereciam serviços semelhantes. Ou, de forma igual, mas diferente, quando a Avis comprou a ZipCar (uma empresa que intermediava o aluguel de automóveis diretamente de seus proprietários) no ano passado.

Seja pela via jurídica ou pelo poder econômico, as grandes empresas tentam banir inovações disruptivas que possam, de alguma maneira, colocar seu domínio em risco. A indústria automobilística e, principalmente, os revendedores de automóveis tentam a todo custo melar as vendas do Tesla, o carro elétrico independente que pode ser comprado diretamente da fábrica, eliminando o intermediário – e, por tabela, um setor bilionário.

O problema é que quando um novo modelo de negócio é criado e cai nas graças dos consumidores, dificilmente consegue-se contê-lo. A indústria fonográfica está aí para comprovar. A grande miopia, no entanto, é que as empresas tradicionais enxergam seus mercados como um jogo de soma-zero, isto é: o que um ganha, o outro perde, como muito bem observou o lúcido artigo da Slate que inspira este texto.

Elas não conseguem entender que inovações disruptivas trazem para o mercado novos consumidores, que antes não usavam os produtos por seu preço elevado ou sua complexidade. Talvez porque passaram muito tempo lendo Michael Porter e suas barreiras de entrada e pouco tempo lendo Clayton Christensen e suas ideias sobre a verdadeira inovação.