Poder e Autoridade– Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Quantas vezes você já ouviu (ou disse) essa resignada frase? Independentemente da situação ou do motivo, uma coisa é certa: alguém estava fazendo alguma coisa contrariado e, consequentemente, de má-vontade. Possivelmente imaginando que era uma tarefa menor, sem valor nem sentido, ou que deveria ser feita por outra pessoa. Ou tudo isso junto.

Dilemas assim surgem quando você tem que seguir uma ordem só porque alguém quer assim – em vez de concordar que essa é a coisa certa a fazer*. É aí que começam as confusões entre poder e autoridade.

Para muita gente ambas as palavras são sinônimas, ou seus significados são tão parecidos que não faz muito sentido separá-los. Mas entender tais diferenças pode nos possibilitar enxergar a liderança de outra forma. Para melhor ou para pior.

Partindo do termo mais amplo, poder traduz-se na “habilidade de influenciar outras pessoas. Nas organizações, isso muitas vezes significa fazer com que as tarefas sejam realizadas (…) apesar da resistência dos outros”. A maneira de se alcançar isso é que pode variar de acordo com as ferramentas empregadas. Uma delas é a autoridade, ou o poder legítimo que, pela força da hierarquia, determina que pessoas sigam ordens.

Em bom corporativês, a autoridade espelha as linhas de comando explícitas num organograma: o presidente manda nos diretores, que dão ordens aos gerentes, que são atendidos pelos analistas, que distribuem tarefas aos estagiários – que obedecem, fazer o quê…?

Obviamente que esta é uma maneira simplista de enxergar as estruturas de poder de uma empresa, até porque ela descreve apenas um dos seus caminhos mais formais. Há pelo menos outros quatro elementos dentro das organizações capazes de modificar as atitudes dos seus integrantes, como por exemplo:

.: Recompensas – o controle sobre aumentos, bônus, promoções e escalas de revezamento representa uma outra forma de influenciar aqueles que estão destinados a recebê-los (ou não);

.: Punições – de efeito inverso ao item anterior, o direito de aplicar (ou não) determinada pena a alguém tem efeito direto no seu comportamento;

.: Carisma – alguns líderes são capazes de inspirar a admiração em seus liderados que, por seu lado, desejam ser reconhecidos e apreciados por eles; e

.: Competência – a reconhecida habilidade ou conhecimento técnico de uma pessoa podem sugerir às outras que ela sabe o que está fazendo e que, muito provavelmente, o resultado daquilo que propõe será positivo.

É interessante notar, ainda, que em várias ocasiões essas últimas quatro formas de poder não necessariamente obedecem à hierarquia da empresa. Elas compõem, muitas vezes, as estruturas informais de poder que, dependendo da situação, podem ser ainda mais determinantes do que as formais. Mas isso ficará para o próximo texto. (Aliás, qual você gostaria de analisar primeiro? Qual delas – agora as cinco incluídas – você acha que está mais presente no seu dia-a-dia?)

__________

* Às vezes essa também pode ser a coisa certa a fazer, mas o seu chefe não conseguiu explicar-lhe direito.

 BATEMAN, Thomas & SNELL, Scott. Administração: Construindo Vantagem Competitiva. Editora Atlas, São Paulo, 1998. p. 337