placa

“Se você bater na placa, vai bater na ponte.”

Recentemente conversava com o diretor de uma empresa sobre um treinamento para o seu time de vendas. Como os profissionais envolvidos atuam em um mercado bastante especializado, a capacidade de analisar adequadamente informações de venda e demanda representa uma habilidade extremamente importante, especialmente para a correta alocação de recursos.

A base do curso concentrar-se-ia, assim, em aprimorar esta competência essencial. O passo seguinte foi, portanto, discutir com os gerentes das equipes a melhor forma de realizar o treinamento, de forma a atender à esta solicitação. Eis que, então, os gerentes questionaram o diagnóstico apresentado, argumentando que esta não era uma deficiência crítica de seus liderados.

Em seu penúltimo livro, Adapt: Why Success Always Starts With Failure (FSG, 2011 – ainda sem tradução no Brasil), Tim Harford explica que uma das melhores formas de se aprender é o processo de tentativa e erro. O problema, adverte Harford, é que tentativa e erro infelizmente inclui o erro – e esta parece ser uma palavra proscrita em alguns ambientes.

Daniel Kahneman destrincha ainda mais o assunto em Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar (Objetiva, 2012), acrescentando que para aprender, de fato, é necessário receber um feedback bom e rápido. E isto vale, claro, tanto para acertos quanto para erros.

Mas quando você não enxerga os erros – sejam os seus ou os da sua equipe – o processo de tentativa e erro não se fecha, pois perde-se a oportunidade de se aprender com aquilo que não dá certo. Negar os erros não faz com que eles transformem-se em acertos. Apenas faz com que eles se repitam. É como bater na placa E no viaduto.