Um dos momentos mais dramáticos da viagem de Ernest Shackleton à Antártida é quando o navio Endurance afunda, deixando seus 28 tripulantes abandonados à própria sorte, no início do século passado.

Planejada para atravessar o continente antártico à pé, em 1914, a ambiciosa expedição transformou-se numa desesperada luta pela sobrevivência, no instante em que o navio foi definitivamente aprisionado pelas gigantescas placas de gelo do Mar de Weddell.

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É aqui que estão suas esperanças?

Enquanto sua equipe assistia a embarcação sendo tragada pelas gélidas águas do extremo sul do planeta, Shackleton virou-se para seus homens e disse:

– Perdemos o nosso navio. É hora de ir para casa.

A passagem ilustra a forma como nos apegamos a fios de esperança, enquanto a situação piora cada vez mais. Shackleton e seus homens ficaram nada menos do que dez meses acampados – ora dentro, ora fora do navio – esperando por um milagre que jamais aconteceria.

Somente quando este resquício de injustificado otimismo foi por água abaixo – literalmente! – é que eles acordaram para o desespero da situação em que se encontravam.

E você? Em que tipo de inútil esperança se agarra para justificar sua falta de ação em problemas que só se agravam enquanto o tempo passa? Onde estão os endurances da sua vida?