Um dos mais arraigados – e abomináveis – hábitos na cultura nacional é a resistência em dizer não a alguém que não é escolhido em algum tipo de processo seletivo. Seja escolhendo um candidato para uma vaga, ou uma firma para a execução de um serviço, a empresa comunica ao vencedor o resultado e, de forma recorrente, ignora os demais.

Uma prática grosseira e que mostra pouca consideração com quem se dispôs a trabalhar ao seu lado.

Quando uma empresa abre um processo seletivo para uma vaga, ou uma concorrência para uma prestação de serviços, pessoas e empresas que participam têm consciência de que podem ficar de fora. E que, aliás, as chances de ficarem de fora são até maiores, estatisticamente falando.

De qualquer forma, elas criam expectativas. Mas pessoas têm limites de prazos para esperar e empresas precisam mobilizar recursos para atender seus clientes e prospects – além de, na maioria das vezes, investirem tempo e dinheiro na elaboração de uma proposta.

De minha parte, já participei de diversos processos seletivos de emprego e somente em uma ocasião recebi uma resposta. Mesmo assim, foi um email padronizado, depois que liguei para perguntar sobre o resultado. De resto, nenhum pio.

Quem faz processos seletivos – seja de pessoas ou de empresas – sabe que sua função envolve escolher um e descartar os demais. Do contrário não haveria necessidade de seleção e sua própria presença seria dispensável. Então, o recrutador ou comprador deve avisar a todos sobre sua decisão – tenham sido escolhidos ou não. Quando ele não comunica os que ficaram de fora, seu trabalho simplesmente está incompleto – e sua incompetência fica evidente.

Para as empresas em concorrências, o prognóstico é ainda pior: propostas enviadas parecem cair no limbo, esquecidas numa Caixa de Entrada, perdidas entre tantas outras coisas mais urgentes do que dar satisfação a quem prontificou-se a atender a uma solicitação. Sim, porque ninguém sério sai enviando propostas comerciais sem que elas tenham sido pedidas antes. Então, se a empresa contratante pediu-lhe algo, ela tem a obrigação de devolver-lhe uma resposta.

Mas a pessoa responsável parece ficar sem jeito, encabulada, com receio de dar uma resposta negativa. Não atende quando você liga e não responde seus emails. Você que adivinhe que sua empresa não foi escolhida, em virtude do silêncio do outro lado.

O que os contratantes precisam entender, no entanto, é que uma resposta negativa significa que o candidato não atende aos requisitos da empresa. Na maioria das vezes, não é nada pessoal. Mas quando a resposta não chega, aí passa a ser pessoal. Porque é uma decisão da empresa, assim como é da empresa a responsabilidade pela comunicação. Mas quando a comunicação não vem, é porque a pessoa responsável não se importa com isso – e a empresa considera aceitável tal atitude.