No início desta série vimos que a meia-vida do conhecimento de um trabalhador é de aproximadamente 36 meses – e que uma das maneiras de ele se proteger de sua irrevogável obsolescência é investindo mais em Conhecimento Conceitual do que em Técnico.

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Investir em brainstorming é como comprar um mimeógrafo a laser

Deixei no ar, ainda, a sugestão que muito se perde em produtividade nas empresas pelo uso de técnicas comprovadamente obsoletas.

Uma delas tem suas best practices listadas ao lado, dando dicas sobre como turbinar suas sessões de brainstorming. A única coisa que o guia falha em mencionar é que a técnica não funciona.

Da sua festejada criação – no final dos anos 1940, por Alex Osborn, sócio da agência de publicidade BBDO – à constatação de que seu resultado era inferior até mesmo ao trabalho individual não se passou uma década.

Em 1958, alunos da Universidade de Yale foram divididos em grupos para resolver problemas que envolviam a criatividade. Em outro local, alunos recebiam as mesmas tarefas para trabalharem separadamente.

Aqueles que trabalharam sozinhos não só encontraram mais soluções, como estas foram consideradas, também, mais práticas e efetivas do que as dos que se reuniram em grupos. Quantidade e qualidade. Além de não potencializar o trabalho em grupo, o brainstorming prejudicava o desempenho individual.

Diversos estudos subsequentes tiveram resultados semelhantes, mas um em particular destaca-se do bolo: em 2003 um professor de Berkeley conduziu uma pesquisa tendo o trânsito de San Francisco como tema.

Enquanto um grupo seguia as regras douradas descritas acima, o outro era encorajado a discutir e criticar. Ao final, o brainstorming perdeu novamente – em quantidade e qualidade. A explicação sugerida pelo pesquisador é que as críticas permitem que as pessoas explorem a imaginação mais a fundo e que é dos conflitos de perspectivas que nascem as ideias imprevisíveis.

Quando se estimula a cordialidade e se evita o julgamento em uma reunião na qual a criatividade deveria ser o objetivo principal, a única coisa que se consegue é chegar a um acordo rápido, normalmente em torno de uma ideia medíocre, em um perigoso processo de groupthink.

E por que sua empresa ainda investe em brainstorming? Muito provavelmente porque ela não investe em suas Capacidades Organizacionais. Ela adota práticas obsoletas porque seu pensamento é obsoleto, não evolui, não se atualiza. Porque ela aposta em técnicas em vez de conceitos. E porque você se acostumou a isso.

No próximo texto veremos outro conceito tão mal-interpretado e superestimado quanto o brainstorming: as Competências Interpessoais. Clique aqui e confira!