Job DescriptionHistória ouvida recentemente: numa multinacional, líder em seu mercado, qualquer novo projeto só pode ser avaliado se vier acompanhado de um benchmark com pelo menos cinco outros casos. Só acreditei porque a fonte era confiável.

Confesso que tenho dificuldades para comentar esta política, dada a contradição interna de sua exigência. Se é um novo projeto, por que deve ter outros cinco exemplos a justificar sua implementação? Por que deixar de lado a busca por ser o primeiro, substituíndo-a pela aceitação em ser (no mínimo) o sexto?

Certamente que a iniciativa em análise pode ter seus pontos inovadores, sua exclusividade. Mas ser obrigada a carregar meia dezena de primos é um fardo desnecessário. Representa uma garantia de continuidade num mundo ávido por novidades.

Entendo, também, que a empresa pode ser a pioneira em seu setor, aproveitando-se de best practices de outras indústrias. Mas será sempre a seguinte.

Minimizar riscos é uma preocupação sensata e necessária. Em muitos casos, entretanto, significa abandonar oportunidades, descartar uma ideia promissora, ignorar uma situação favorável. Tudo em nome da segurança. Na atual dinâmica corporativa, contudo, adotar uma postura conservadora demais tem o efeito diametralmente oposto, ao colocar em risco tudo aquilo que já foi conquistado.

Em última análise, a diretriz pode revelar uma excessiva aversão ao risco ou, ainda, confessar a incapacidade de avaliar cenários futuros.