Setenta anos atrás a medicina avançava a passos largos em algumas áreas, enquanto que outras de vital importância permaneciam inertes, estagnadas. Encontrava-se nesta situação uma especialidade que hoje salva vidas de forma quase rotineira: a cirurgia cardíaca.

Durante a Segunda Guerra Mundial, no entanto, o cirurgião americano Dwight E. Harken (1910–1993) resolveu mudar este quadro realizando um tipo de procedimento até então considerado tabu: retirar fragmentos de projéteis do coração de uma pessoa viva.

Dwight Harken

Dwight Harken

Harken dividiu seus pacientes em grupos de 14 indivíduos e foi melhorando progressivamente os desfechos de suas intervenções: no primeiro grupo, todos morreram; no segundo, metade veio a falecer; no terceiro, apenas dois resultaram em óbito; e, no quarto, todos sobreviveram.

Um preço aparentemente macabro para um avanço científico, independentemente da sua magnitude. Mas os três primeiros grupos de pacientes eram compostos de animais de pequeno porte e, o quarto, de soldados do exército americano feridos em combate.

O detalhe verdadeiramente notável neste gigantesco passo da medicina é que Harken não contou com nenhuma nova técnica cirúrgica, nem qualquer tipo de equipamento novo. Ao contrário, todos os seus recursos eram de uso corrente à época.

Seu verdadeiro diferencial foi ter a coragem de fazer algo que seus colegas não ousavam, embora também tivessem capacidade e recursos para tal.

Inovações na Administração não resultam nem necessitam de computadores mais potentes, de softwares mais rápidos, tampouco de novos insights da Psicologia – embora façam bom uso destas ferramentas. Elas apenas combinam o que já está disponível de forma pouco ortodoxa.

O que impedia as cirurgias cardíacas no passado não era apenas a falta de conhecimento ou tecnologia, mas o medo e a superstição. Talvez os mesmos motivos que levem empresas a parar no tempo enquanto são atropeladas por concorrentes mais ousados.

Com sua coragem e pioneirismo, Harken realizou 130 cirurgias cardíacas durante sua carreira. Nenhum paciente seu morreu durante os procedimentos.