Através de sua newsletter Daniel Pink distribuiu, recentemente, um documento chamado FLIP Manifesto – 16 Counterintuitive Ideas About Motivation, Innovation and Leadership*. Conhecido pelos ótimos O Cérebro do Futuro e Motivação 3.0, Pink vem questionando alguns padrões de comportamento que, segundo ele, estão defasados com relação às novas dinâmicas sociais.

Logo no início do Manifesto, o autor desafia os velhos postulados do pensamento positivo, especialmente sob a forma das frases características que repetimos em frente ao espelho todas as manhãs: “Eu posso tudo”, “Ninguém me segura” ou qualquer outra de sua preferência.

O hábito tem como objetivo eliminar dúvidas e reafirmar nossa condição de invencível mas, para Pink, querer que as dúvidas sumam não faz com que elas, de fato, desapareçam. E, completa, um pouco de dúvida é sempre saudável. A prova foi tirada em uma série de experimentos conduzidos por Ibrahim Senay, Dolores Albarracin e Kenji Noguchi.

success_kidNa pesquisa, os voluntários eram instruídos a resolver uma série de desafios lógicos mas, antes da tarefa, metade deveria se questionar se realmente conseguiria realizar os exercícios, enquanto que a outra metade deveria reafirmar internamente suas habilidades em solucionar tais problemas.

No fim das contas, o grupo que se questionou resolveu muito mais desafios do que o outro.

Uma das explicações dos pesquisadores sugere que o questionamento, no mínimo, põe em dúvida se você realmente quer atingir aquele objetivo e, ao responder positivamente a este dilema, você haverá de encontrar razões que trarão ainda mais motivação.

Em contrapartida, repetir mecanicamente um desejo futuro deixa uma lacuna no quesito propósito. Para quê, exatamente, você quer atingir um determinado objetivo?

Indo mais além, a incessante repetição de uma mensagem positiva aprisiona-o naquele objetivo, impedindo que você perceba sinais conflitantes. Ou seja: você descarta qualquer evidência em contrário, especialmente as que lhe mostram que você pode estar errado.

Por fim, declarações excessivas sobre sua própria competência incluem certa arrogância. Dúvidas honestas sobre suas habilidades permitem-lhe identificar suas falhas e buscar corrigí-las. Afinal, se há anos você vem repetindo o mesmo mantra todas as manhãs e ainda não atingiu os objetivos contidos nele, há algo errado, não?

LEIA MAIS: veja a entrevista que fiz com Daniel Pink.