Certo dia em um almoço com um parceiro de negócios, escutei-o rasgando elogios à sua antiga empresa, parte deles direcionados ao seu staff, cuja dedicação e fidelidade compunham o ponto alto de suas qualidades.

Coincidentemente, pouco antes havia escutado lamentações de outro colega que prestava serviços à mesma empresa. Sua reclamação recaía – adivinhem – exatamente sobre o departamento comandado pelo outro: o financeiro. Segundo ele, receber as faturas era um tormento, pois todo mês atrasava e os valores vinham errado. Para menos, lógico.

Os problemas persistiram mesmo depois de terminado o contrato e, segundo diz, algumas pendências ficaram sem solução e, desolado, ele desistiu de cobrar.

De acordo com o reclamante, ele pedia repetidamente que os problemas fossem resolvidos, embora eles ocorressem um mês após o outro, sistematicamente. Sua impressão era de que os funcionários faziam-se de mortos, esperando que o problema sumisse por combustão espontânea, que simplesmente caísse no esquecimento, ou que desistissem dele – o que, de fato, acabou acontecendo.

É aí que a equação não fecha: como funcionários assim podem ser vistos por seu chefe como dedicados e fiéis, se tratavam suas obrigações desta forma?

A hipótese mais provável está no título do texto: ele era tolerante com os erros de sua equipe. A menos provável é que ele não sabia dos equívocos – o que não é crível, já que quando os enganos eram corrigidos, invariavelmente era porque o reclamante chamava a atenção do reclamado para o problema.

Esta explicação também sugere um ciclo vicioso de incompetência, na medida em que o funcionário acomoda-se com um líder omisso e, ainda pior, passa a gostar dele mais do que deveria. Quando o chefe faz vista grossa aos erros de sua equipe, ele não prejudica apenas aqueles diretamente afetados pelas falhas, mas também a própria equipe.

Minion

Este é você, sem feedback

Em Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, Daniel Kahneman alerta que o feedback é peça fundamental no processo de aprendizado, não só no que se refere à sua qualidade, como também à velocidade com que é dado, de acordo com a situação.

O líder estaria, então, prestando um desserviço à sua equipe, privando-a da possibilidade de aprender com seus próprios erros. De quebra, deixa a perigosa sensação de que tais erros, sistemáticos e previsíveis, são aceitos sem maiores consequências.

Se você tem um chefe assim – ou se você é um chefe assim – entenda que passar a mão na sua cabeça é ruim para todo mundo: para quem é prejudicado pelos seus erros, para o seu chefe, para a sua empresa e por último, mas não menos importante, para você mesmo.