The Charisma MythPor acaso o tema do livro é Carisma, mas diversos outros poderiam exemplificar este texto. Lá pelas tantas, a autora discorre sobre os diferentes tipos de carisma e segue dando exemplos de personalidades e os particulares efeitos que suas presenças causam àqueles à sua volta.

O carisma do Dalai Lama emana compaixão. O carisma de Bill Gates domina uma sala inteira. O carisma de Steve Jobs carregava um caráter messiânico – e por aí vai.

Normalmente, tais afirmações passam despercebidas uma vez que virtualmente qualquer explicação pode se encaixar à ideia defendida. Que todo mundo nota Bill Gates em uma sala parece óbvio. Podemos dizer que é por causa do seu carisma, do seu magnetismo, da sua aura. Podemos até dizer que é porque ele é bonito e charmoso.

Podemos dizer, ainda, que ele causa alvoroço simplesmente porque ele é o Bill Gates. Muito provavelmente um sósia do Bill Gates, personificando o próprio, causaria o mesmo impacto – sem ser o Bill Gates e sem ter o dinheiro do Bill Gates.

Em situações assim, nós não analisamos o contexto e os acontecimentos para chegar a uma conclusão sobre a pessoa. Nós usamos a conclusão que já temos a respeito da pessoa e procuramos uma análise que se encaixe à impressão que já temos, sem nos preocuparmos em identificar quem nasceu primeiro.

Para figuras públicas é muito difícil separar o impacto causado pela pessoa do impacto causado pelo nome da pessoa. E, neste caso, qualquer explicação parecerá satisfatória.

Basta lembrar o episódio do Joshua Bell tocando violino incógnito em uma estação de metrô anos atrás, na mesma cidade em que os caríssimos ingressos para seu concerto estavam esgotados. A música tocada era a mesma, o instrumento era o mesmo. E, salvo engano, seu carisma era o mesmo. Ou não?