Em reunião recente com empresários de Belo Horizonte, um deles comentou a respeito da contratação de um consultor financeiro. Segundo ele, um telefonema ao gerente do banco foi o suficiente para reduzir o custo com cartão de 2,7% para 1,9%. Esta medida, sozinha, vem representando uma economia de dezenas de milhares de Reais todo mês.

moedas1Corta para o aeroporto, no voo de volta para casa, e uma parada para um café e um pão de queijo. Na hora de pagar – um valor exorbitante por algo tão frugal – o mesmo desleixo costumeiro: “Estou sem troco, o senhor não gostaria de pagar com cartão?”

Não vou entrar no mérito de que ir atrás de troco é uma obrigação de quem trabalha no comércio e que vendedores não devem se livrar disso transferindo o fardo para o cliente. Esta é uma tarefa do atendente e deve ser mais importante do que checar seu smartphone o tempo todo.

O ponto aqui é que basta fazer um link com a história anterior, para perceber que este mau hábito devora 2,7% da margem de lucro do estabelecimento. Por pura preguiça.

Mas antes de simplesmente culparmos os atendentes por isso, lembremos que alguém sabe que eles estão fazendo isso – ou ao menos deveria saber. Há encarregados, gerentes e supervisores que toleram tal atitude, quando não a ensinam e encorajam. É que, convenhamos, é muito mais fácil pedir para pagar com cartão do que se preocupar com o troco. Até porque não são eles quem pagam a conta.

Mas quem paga a conta – o dono – também não deve ver problema nisso. O mesmo dono que depois fará uma série de economias porcas e tortas para reaver os 2,7% que seus funcionários displicentemente desprezam. O mesmo dono que depois dirá que a culpa pelo seu negócio ir mal é do aeroporto, dos passageiros ou do governo.

Este dono está dizendo, também, que não se importa com seus custos e não tem a menor noção para onde vai o dinheiro do cliente. O cliente que paga a conta do seu desleixo, sendo duplamente castigado pelo mau atendimento.