Universidade de Berkeley, Califórnia, 1939. Jerzy Neyman falava a seus alunos de doutorado do curso de estatística sobre equações famosas que nunca haviam sido resolvidas. Os dois exemplos escritos no quadro negro já haviam atormentado várias outras turmas de alunos que, sem sucesso, tentaram solucioná-los.

George Dantzig

George Dantzig

George Dantzig, no entanto, chegou um pouco atrasado naquele dia e perdeu o início das explicações de Neyman. Pouco antes do fim da aula, ele tratou de copiar correndo as equações e foi para casa. Dias depois, retornou ao professor dizendo que aquele dever de casa havia sido um pouco mais difícil do que o habitual e, por isso, ele demorou alguns dias a mais para conseguir terminar.

Por que Dantzig resolveu os problemas? Muito provavelmente porque ele os encarou como deveres de casa, em vez de equações impossíveis de serem resolvidas. Sua abordagem frente ao problema deu-lhe a motivação necessária para seguir em frente. Tivesse ele a ideia de que aquilo era algo impossível, provavelmente não insistiria tanto e aceitaria precipitadamente o fracasso.

Para a psicóloga americana Carol Dweck, temos duas maneiras de encarar a inteligência e, por extensão, os desafios:

  • uns acham que nascemos com uma quantidade específica de inteligência – e ou somos inteligentes, ou não. É o que Dweck chama de mindset fixo;
  • outros acreditam que a inteligência é fluida e que sempre pode aumentar, melhorar. É o mindset de crescimento.

Além de algumas implicações na forma como encaramos as dificuldades, ter um mindset fixo ou de crescimento interfere no modo como lidamos com nossos erros. Quem acredita no mindset fixo tem medo de errar, porque isso significa que sua quantidade específica de inteligência é um pouco limitada. E isso pode acabar criando um medo de errar, que se transforma em medo de tentar.

E se alguém tem medo de tentar algo que é apenas difícil, imagina quando sabe que além de difícil é quase impossível e que várias pessoas já fracassaram naquilo? George Dantzig, que não sabia de nada, foi lá e tentou. E conseguiu.