Um escândalo de armação de resultados nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 levou à desqualificação de oito atletas do torneio feminino de badminton. As jogadoras – quatro da Coréia do Sul, duas da Indonésia e duas (campeãs mundiais) da China – perderam seus jogos propositadamente para pegar adversárias teoricamente mais fracas na etapa seguinte.

Caso semelhante ocorreu na Copa do Mundo de Futebol de 1982, quando Alemanha e Áustria ficaram tocando bola no meio de campo, cozinhando uma vitória alemã por 1 x 0 que classificava ambas as equipes para a fase seguinte, naquele que ficou conhecido como o jogo da vergonha (foto abaixo).

O jogo da vergonhaEmbora a atitude não tenha justificativa aceitável, na medida em que fere os ideais de espírito esportivo, dependendo do sistema de disputa alguns resultados, mesmo negativos, podem favorecer uma ou ambas as equipes em campo (ou quadra).

Infelizmente, parece que desonestidade e corrupção sempre farão parte do cenário esportivo, especialmente quando grandes quantias de dinheiro estiverem envolvidas.

O que os organizadores precisam fazer, então, é criar sistemas de disputa que impossibilitem – ou ao menos dificultem – a combinação de resultados.

Nas empresas o processo deve ser parecido, especialmente quando envolver dinheiro. Sistemas de premiação, criados com a melhor das intenções, podem estimular comportamentos que a empresa preferia evitar.

Quando criar normas de premiação ou incentivos, pense sempre nos efeitos colaterais indesejados que podem surgir. Faturas fictícias, vendas fantasma, acirramento da competição interna em detrimento do espírito de equipe são, em alguns casos, até previsíveis se as recompensas encontrarem indivíduos com padrões morais menos rígidos.

Tente fazer o papel de advogado do diabo para ver como seria possível burlar as regras criadas. Exercite seu lado negro da força para evitar que alguém o faça por você, quando o jogo estiver valendo medalha.