Uma frase em destaque num artigo da Harvard Business Review de abril chama a atenção: The struggle between speed and quality is over. Speed has won – decisively*.

Num mercado onde cada vez mais se busca a inovação, o texto de Tom Quinly (A rush to failure?) faz muito sentido. Segundo Quinly, a cada contratempo experimentado por uma empresa, ela procura se precaver de futuros tropeços e, assim, vai implementando controles ao longo do seu processo de desenvolvimento de novos produtos.

4Rodas-Capa2A burocracia resultante acaba se tornando nociva para o futuro da empresa, passando a matar boas iniciativas ainda no ninho, como relata a extensa bibliografia a respeito.

Mas a demanda por novidades também exerce suas pressões e, vez ou outra, produtos chegam rápido demais ao mercado, sem os devidos testes. Prova disso são os inúmeros recalls de automóveis que testemunhamos nos últimos anos.

Por outro lado, temos um ritmo de lançamento de novos modelos que jamais existiu. Isso não é bom? Será que não compensa os eventuais defeitos de projeto?

Lógico que alguns defeitos são imperdoáveis – como os pneus do Ford Explorer que explodiam ou o Fox que decepava os dedos dos proprietários – mas estes são casos isolados e, lembremos, antigamente eram muito piores.

Em alguns mercados, há grupos de clientes interessados em testar novos produtos em busca de imperfeições. De graça. Se a sua área não conta com tais facilidades, ainda assim você deve considerar os riscos e benefícios de chegar na frente, de ser o primeiro. Pois como diz o antigo ditado, o bom é inimigo do ótimo.

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* A batalha entre velocidade e qualidade acabou. Velocidade ganhou – de longe.