Power Point_Ram Charam

As belíssimas apresentações de Ram Charam

Algumas vezes um determinado conceito de gestão cai no gosto popular e acaba tornando-se um modismo. Outras, é uma crítica que se torna lugar-comum. Uma das vítimas desta segunda tendência é o pobre PowerPoint, atacado por muitos, mas com especial gosto e capricho por usuários de Macs.

Não se trata, aqui, de defender este ou aquele aplicativo, mas de ir à verdadeira raiz do problema: não é um programa que cria uma boa apresentação, é uma pessoa. Ninguém diz que escreve mal porque usa Word, então por que a culpa é do PowerPoint?

O fato é que nenhuma Forma boa resiste a um Conteúdo ruim. Dependendo da tecnologia, utiliza-se uma Forma bonita para exibir uma indisfarçável falta de criatividade. Pode ser bonito, mas continua insosso.

Talvez o maior culpado das torturas a que apresentadores e palestrantes submetem suas audiências seja, exatamente, o excesso de recursos oferecidos. E por recursos oferecidos, entenda-se não só as ferramentas, mas também o tempo destinado à apresentação. Quanto mais penduricalhos e badulaques, mais asneiras. Quanto mais tempo, mais sofrimento.

Recentemente, Drew Boyd e Jacob Goldenberg confirmaram o que há muito eu suspeitava: em vez de restringir, os limites favorecem, amplificam e estimulam a Criatividade. Os autores de Inside the Box: A Proven System of Creativity for Breakthrough Results (Simon & Schuster, 2013) sustentam que recursos limitados despertam a inovação na busca por soluções.

Neste sentido, o PowerPoint – e os outros – são o inferno da Criatividade, exatamente porque há cada vez mais recursos e ferramentas. E, como se diz, PowerPoint, assim como a lousa, aceita tudo.

Mas o principal elemento nesta equação, creio, continua sendo o tempo – seja o oficial ou o oficioso. Todos já devem ter passado pela desagradável experiência de ver palestrantes prolixos estourando o tempo, acumulando um abominável atraso atrás do outro, transformando eventos em verdadeiras maratonas.

Minhas melhores – e mais trabalhosas! – apresentações foram as que tive um tempo reduzidíssimo e um rigoroso controle sobre ele. Quando somos obrigados a ser breves, criamos verdadeiras maravilhas de objetividade.

Pensando nisso, surgiu um interessante movimento chamado Pecha Kucha, que em japonês significa algo como bate papo. A regra é clara: você tem um limite de 20 slides, com 20 segundos para cada um. Ponto.

Neste formato, também conhecido como 20 x 20, você deve extrair o máximo dos 6’40” de que dispõe. Sem firulas, sem enrolação.

Pense nisso e faça o teste na sua próxima apresentação. Lance esse desafio na sua empresa. Ouse transformar suas reuniões maçantes em algo realmente produtivo e informativo. Se não conseguir, ao menos pare de colocar a culpa na ferramenta.