Ficar doente no início do século XIX era algo que, definitivamente, não fazia bem à saúde. As práticas hospitalares da época não eram o que se pode chamar de higiênicas e, por causa disso, as taxas de óbito eram assustadoramente altas.

Ignaz Semmelweis

Ignaz Semmelweis (1818-1865)

No Hospital Geral de Viena, na Áustria, o médico húngaro Ignaz Semmelweis percebeu uma grande diferença nos índices de mortalidade infantil nas duas maternidades da instituição (cerca de 10% em uma, contra 4% na outra).

A principal diferença entre elas era que numa funcionava um hospital-escola, onde os estudantes de medicina alternavam entre as aulas e o atendimento aos pacientes. O detalhe macabro, segundo os padrões atuais, é que frequentemente eles realizavam partos e cirurgias imediatamente após manipular cadáveres durante autópsias. Sem lavar as mãos.

Muito antes de a teoria dos germes ser formulada por Robert Koch, em 1890, Semmelweis propôs que os óbitos eram causados por uma espécie de contaminação cadavérica.

Depois de instituir a prática de lavar as mãos entre os procedimentos, o médico viu a taxa de mortalidade cair mais de 90% nos meses seguintes.

Apesar das evidências, a comunidade médica ignorou a proposta de Semmelweis, por vezes ridicularizando-a. Ele ainda seria demitido do hospital e hostilizado por seus pares.

Sem jamais se recuperar deste trauma, Semmelweis terminou seus dias num sanatório psiquiátrico, vindo a falecer prematuramente (de infecção generalizada), aos 47 anos.

Ignaz Semmelweis intuitivamente encontrou uma explicação razoável para um fato, sem conseguir explicar os mecanismos que atrelavam a causa ao efeito. Os dados reunidos por ele, no entanto, comprovavam a correlação – embora ele não tenha estabelecido corretamente a causalidade.

Mas as crenças médicas da época estavam por demais enraizadas mesmo que, nem sempre, suficientemente sustentadas. E, assim, os arraigados dogmas científicos impediram a quebra de um importante paradigma no tratamento de doenças. Por ignorância ou teimosia, uma classe inteira de profissionais deixou de evoluir para melhor atender à população.

Em Medicina, mudar de opinião frente às evidências pode salvar vidas. Em Administração, pode salvar a sua empresa.