De um lado o funcionário descreve, entusiasmado, seu chefe como gente boa, compreensivo e sempre disposto a ajudar no que for preciso. Do outro, contudo, a opinião se inverte: o subordinado é, segundo o chefe, relapso e preguiçoso, embora tenha potencial.

Este situação, extremamente comum nas empresas, esconde perigosas armadilhas por baixo do clima de aparente cordialidade: um chefe pouco exigente que prefere apagar os incêndios do seu funcionário, em vez de contribuir para sua evolução profissional.

Já se sabe que é impossível evoluir sem feedback, simplesmente porque para melhorar em algo é preciso ter uma indicação clara sobre o próprio desempenho – e esta é uma das funções do chefe.

Em algumas empresas, no entanto, determinadas interações são desestimuladas e, assim, conversas importantes são varridas para debaixo do tapete. Assista o vídeo abaixo (1’22”) e depois concluímos o tema:

Como Shackleton percebeu exatos 100 anos atrás, evitar o conflito não resolve o problema, apenas esconde esqueletos no armário que, com o passar do tempo e o acúmulo de novos atritos, podem transformar-se em verdadeiras assombrações.

É claro é desejável que os chefes (e não somente eles!) sejam compreensivos e prestativos, mas não a ponto de tratar seus funcionários como incapazes – com explica Amy Gallo em When Your Boss Is Too Nice. O problema é que muitos chefes – especialmente os mais inexperientes – incorporam uma personalidade gente boa em busca da aprovação de seus liderados e acabam, assim, perdendo o foco de seu verdadeiro papel na organização.

Deixemos claro, contudo, que dificilmente um chefe faz isso de propósito e raramente percebe que está sendo condescendente demais. E assim como um funcionário não consegue avançar se não tiver feedback, o mesmo vale para o chefe.

Se for o seu caso, tenha uma conversa franca com seu chefe. Reconheça, em primeiro lugar, que ele tem a melhor das intenções ao poupá-lo de determinados assuntos, mas que você gostaria de participar mais e que está ciente dos riscos envolvidos. Explique, ainda, que você considera os inputs necessários ao seu desenvolvimento e que está disposto a ouvir as críticas.

Mas se este tipo de conversa for impraticável, você ainda pode buscar o feedback necessário junto aos seus pares. Forme uma rede de colegas dispostos a se ajudarem mutuamente no que diz respeito às informações necessárias.

O que você não pode aceitar é deitar-se calmamente em sua rede de conforto, embalado por um chefe igualmente omisso, enquanto sua carreira dorme um sono profundo, estagnada para sempre.