Em De onde vem a Motivação? analisei alguns aspectos sobre como as pessoas se motivam para trabalhar – e o porquê de as empresas ainda insistirem em ir em direções opostas. Um destes desencontros é a persistente crença de que o dinheiro é capaz de fazer as pessoas trabalharem melhor, mais rápido e, ainda por cima, serem mais criativas.

Em seu bem elaborado Motivação 3.0 – base do Drive Workshop – Daniel Pink ilustra este engano com uma incoerência comum em empresas multinacionais que insistem em inspirar seus funcionários através de incentivos financeiros, basicamente. Para o autor, basta uma visita a área de TI da empresa, onde provavelmente se verá uma série de aplicativos rodando em ambientes Linux.

Ora, Linux é um software livre, de código aberto, construído, adaptado e melhorado por colaboradores do mundo inteiro, de graça.

Linus Torvalds

O que motiva Torvalds?

Criado no início da década de 1990 pelo finlandês Linus Torvalds, o sistema operacional chegou à sua maturidade (e robustez!) graças à ajuda de programadores que viam na tarefa em si sua própria fonte de inspiração – a que Pink se refere como Propósito.

E qual a razão de abordarmos este assunto? Simples: outro dia vi na Exame uma relação com os 10 supercomputadores mais potentes do mundo. Se você tiver paciência de navegar pelas dez páginas nas quais a matéria foi picotada, perceberá que nada menos do que NOVE destas máquinas usam o sistema operacional Linux.

Obviamente que nenhum deles foi instalado exatamente na forma como concebido originalmente e, certamente, alguns milhões de dólares foram gastos nas mais diversas adaptações. Mas o coração do sistema ainda é o núcleo Linux, construído de forma colaborativa.

Esta aparente inconsistência sugere que em casa de ferreiro, o espeto é de alguma outra coisa, que funciona muito bem, obrigado, mas que eles não conseguem explicar como surgiu – e preferem continuar sem saber.