MintzbergNum artigo publicado anos atrás na Harvard Business Review, Henry Mintzberg (que considero um dos mais brilhantes pensadores e teóricos no campo da estratégia) alertou-nos que a obsessão pela produtividade estava minando as grandes corporações americanas.

Em seu brilhante manifesto Productivity is killing american enterprise, o autor expressa seu temor de que a incessante busca por lucros imediatos (leia-se trimestrais) exigida pelos investidores, esteja comprometendo a sobrevivência das empresas no longo prazo. Para entregar o utópico double digit growth as companhias tomam decisões que, segundo ele, diminuirão em breve sua competitividade. Nas suas palavras, “estão trocando sua riqueza futura por resultados de curto prazo”.

Num exemplo surreal, imagine que você demita todos os funcionários da sua empresa e passe a vender seu estoque. Seus custos (insumos, mão-de-obra, energia etc.) cairíam a zero, sua receita continuaria estável e a produtividade/lucratividade dispararia. Até o dia que suas prateleiras ficariam vazias.

Na comparação feita por Mintzberg, as prateleiras das empresas começam a esvaziar no momento em que elas optam pelo lucro imediato em vez do investimento no futuro, numa atitude subserviente à vontade do acionista.

No brilhante Innovation Killers: How Financial Tools Destroy Your Capacity to Do New Things, Clayton Christensen mostra como as ferramentas de análise financeira, usadas por quase todas as empresas, jogam projetos inovadores no lixo, por sua natureza pouco rentável – tal como identificado no ótimo O Dilema da Inovação.

As taxas de rentabilidade exigidas pelo mercado financeiro pairam, possivelmente, um pouco acima do que empresas tradicionais tem conseguido entregar – ao menos de forma saudável e consistente, sem precisar vender o almoço para comprar o jantar, nem recorrer a malabarismos contábeis de natureza altamente suspeita.

A corrida pela produtividade também tem seus trade-offs e um deles, apontado pelos dois especialistas citados, é o encolhimento dos investimentos no longo prazo. Ou, invertendo a máxima acima, estão hipotecando o jantar para comprar o almoço.